Os Desafios e a Necessidade do Exercício de Cuidados Farmacêuticos a Pacientes com Tuberculose

A erradicação da tuberculose é uma prioridade do governo brasileiro.  Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (2015), o Brasil é um dos países com maior número de casos no mundo, ocupando a 20ª posição quanto à carga da doença e a 19ª no que se refere à coinfecção tuberculose-HIV. Dados do Ministério da Saúde apontam que no país, em 2015, 69 mil pessoas adoeceram com tuberculose e 4,5 mil morreram devido à doença.

O plano nacional pelo fim da tuberculose como problema de saúde pública, publicado pelo Ministério da Saúde em 2017, vem de encontro à nova estratégia global para enfrentamento da doença. O plano apresenta como meta a redução do coeficiente de incidência para menos de 10 casos por 100 mil habitantes e a redução do coeficiente de mortalidade por tuberculose para menos de 1 óbito por 100 mil habitantes, até o ano de 2035.

No ano de 2015 foram registrados, no Brasil, 1.077 casos de tuberculose drogarresistente, sendo a principal causa o abandono ao tratamento. A não adesão ainda representa um grande problema para o sucesso terapêutico, determinando falhas e desenvolvimento de resistência bacteriana. A taxa de abandono ao tratamento no país em 2014 foi aproximadamente 12%, chegando a cifra assustadora de 40% em algumas capitais.

Diante deste panorama, é indiscutível a importância de direcionamento de esforços para redução desses números. O farmacêutico clínico é um profissional estratégico e necessário para o enfretamento da tuberculose no âmbito da atenção primária à saúde, junto às Equipes de Saúde da Família (ESF) e aos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). Como parte integrante da equipe, o farmacêutico deve, também, comprometer-se com o alcance dos melhores resultados do tratamento e com o fim da tuberculose como problema de saúde pública no país.

Neste sentido, o profissional possui a responsabilidade de realizar o acompanhamento farmacêutico dos pacientes diagnosticados com tuberculose, discutindo com o usuário a importância da adesão à farmacoterapia, por meio de esclarecimentos em relação à doença e suas formas de transmissão, ao tratamento e consequências de não adesão e do fornecimento de orientações quanto ao uso correto dos medicamentos. Entretanto, o farmacêutico também deve priorizar ações que vão além da promoção da adesão: identificação e manejo de reações adversas menores e maiores causadas pelos medicamentos tuberculostáticos e análise da efetividade da farmacoterapia. Além disso, pode, também, inserir-se em ações de rastreamento de contatos, principalmente membros da família, em busca do foco de infecção e possíveis novas infecções, dentre outras.

A implementação do cuidado farmacêutico a pacientes com tuberculose na atenção primária, contudo, ainda permanece como um grande desafio aos farmacêuticos clínicos. Destacar o papel que este profissional pode exercer e seus pontos positivos, apresentar as estratégias para ampliação e consolidação do cuidado e discutir pontos de melhoria são aspectos cruciais para o avanço da prática clínica farmacêutica junto a estes pacientes.

MSc. Kirla Barbosa Detoni
Farmacêutica/NASF – Centro Universitário Newton Paiva – Belo Horizonte/MG

 

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