Cuidados Farmacêuticos a Pacientes com Transplante de Medula Óssea

O transplante de células tronco hematopoiéticas (TCTH) é uma modalidade de tratamento para diversas doenças que afetam principalmente as células do sangue. Na pediatria, as doenças tratadas com TCTH que mais se destacam são as doenças hematológicas malignas, as síndromes de falência medular, as hemoglobinopatias, as imunodeficiências primárias, os erros inatos do metabolismo e alguns tumores sólidos.

O transplante de medula óssea pode ser autólogo (quando as células infundidas são do próprio paciente), singênico (células provenientes do irmão gêmeo idêntico), alogênico (células são de outro doador, podendo ser aparentado ou não aparentado) e haploidêntico (células de doador aparentado com 50% de compatibilidade), e as fontes de células podem ser a medula óssea, células tronco do sangue periférico ou do cordão umbilical.

Os esquemas de quimioterapia e radioterapia usados na preparação do paciente para receber o enxerto de células tronco hematopoiéticas (CTH) são chamados de regimes de condicionamento. Os objetivos do condicionamento são eliminar qualquer doença maligna residual antes do transplante e prevenir a rejeição do enxerto pelas células maduras do receptor. A escolha do condicionamento para a população pediátrica apresenta particularidades, uma vez que alguns agentes quimioterápicos podem apresentar comportamento diferente na metabolização e alguns procedimentos podem ser inadequados, como a irradiação corporal em crianças menores de três anos de idade.

O paciente submetido ao transplante está sujeito a complicações relacionadas à toxicidade do esquema de condicionamento (como a mucosite ou cistite hemorrágica pelo uso da ciclofosfamida), complicações infecciosas, doença do enxerto contra o hospedeiro, entre outras. Em pediatria, é importante ainda estar atento às complicações tardias, como a infertilidade, déficit do crescimento, osteoporose e neoplasias secundárias.

Em face de todos estes desafios, a atuação do farmacêutico clínico mostra-se essencial para garantir a segurança do paciente submetido ao transplante. A atuação do farmacêutico pode se dar por meio de análise de prescrições, auxílio na escolha do protocolo de condicionamento, orientação à equipe multiprofissional quanto ao modo correto de administrar os medicamentos usados no transplante, introdução de profilaxias e tratamentos adequados, acompanhamento de resultado dos medicamentos utilizados e orientação aos cuidadores e pacientes, especialmente em relação ao uso de medicamentos após a alta hospitalar.

 

Es. Paula Ferreira Castro
Farmacêutica do Hospital ITACI

 

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