Câncer de Próstata: Como o Farmacêutico Clínico Pode Participar do Cuidado aos Pacientes com esta Enfermidade?

O câncer de próstata é o tipo mais frequente na população masculina (à exceção do câncer de pele não melanoma) e a quinta principal causa de morte em todo o mundo. Somente em 2015, estimativas apontam que houve 1,6 milhão de novos casos de câncer de próstata e 366 mil óbitos [1]. No Brasil, além de ser igualmente o mais comum entre os homens, é considerada a principal causa de morte por câncer nesta população [1]. Este tipo de câncer afeta a próstata, uma glândula presente somente em homens e que está localizada abaixo da bexiga e à frente do reto. Este órgão tem a função de produzir parte do sêmen, o qual é liberado durante a relação sexual [2]. Os principais fatores predisponentes para o desenvolvimento deste câncer ainda não estão bem identificados, entretanto, aqueles já estabelecidos são aumento da idade, origem ética e hereditariedade [3].

O cuidado direcionado ao câncer está passando por importante mudança de paradigma, movendo-se de uma abordagem centrada na doença para uma abordagem centrada no paciente. Neste contexto, além da sobrevivência, é dada atenção especial aos aspectos psicossociais, empoderamento do paciente e qualidade de vida [4]. Isto é importante porque o câncer é considerado uma das doenças mais temidas pelas pessoas, trazendo consigo a ideia de risco de morte e a possibilidade de terapias agressivas que causam muitos eventos adversos [5]. Em se tratando especificamente do câncer de próstata, muitos dos eventos adversos com antiandrogênicos envolvem a sexualidade (tais como feminização, disfunção erétil, atrofia peniana e perda da libido), que é uma questão delicada e de difícil abordagem [6].

A presença do farmacêutico no tratamento de pacientes oncológicos tem se tornado cada vez mais frequente. Por possuir grande conhecimento a respeito da eficácia, segurança e farmacologia é capaz de desempenhar um importante papel no cuidado direto aos pacientes, auxiliando na seleção da terapia e no uso de medicamentos de suporte, no acompanhamento dos resultados do uso dos medicamentos e no manejo de eventos adversos, além de atuar na educação dos pacientes e de outros profissionais da saúde [7,8]. A partir dessa premissa, recente revisão sistemática apontou que intervenções farmacêuticas melhoram de forma significativa muitas medidas de resultados em saúde em pacientes ambulatoriais com câncer [9].

Apesar dos resultados promissores sobre intervenções farmacêuticas na oncologia, existe uma carência de estudos direcionados especificamente para o câncer de próstata [9]. Assim, desde o ano de 2014, a Farmácia Universitária da Universidade de São Paulo (FARMUSP) está desenvolvendo um projeto de acompanhamento farmacoterapêutico para pacientes com câncer de próstata, em parceria com o Hospital Universitário da Universidade de São Paulo e com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Durante o 3º Congresso Brasileiro de Farmacêuticos Clínicos (PCare 2018) apresentaremos o nosso modelo de cuidado e os principais resultados obtidos com este projeto. Vamos participar?

 

Dra. Patrícia Melo Aguiar
Docente da Universidade de São Paulo
Pesquisadora no Projeto Acompanhamento Farmacoterapêutico de Pacientes com Câncer de Próstata

 

Referências

  1. Fitzmaurice C, Allen C, Barber RM, Barregard L, Bhutta ZA, Brenner H, et al. Global, Regional, and National Cancer Incidence, Mortality, Years of Life Lost, Years Lived With Disability, and Disability-Adjusted Life-years for 32 Cancer Groups, 1990 to 2015: A Systematic Analysis for the Global Burden of Disease Study. JAMA Oncol. 2017;3(4):524-548.
  2. INCA – Instituto Nacional do Câncer. Próstata. Disponível em: <http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/tiposdecancer/site/home/prostata>. Acesso em 18 de março de 2018.
  3. EUA – European Association of Urology. Guidelines on Prostate Cancer. 2015. Disponível em: <uroweb.org/wp-content/uploads/09-Prostate-Cancer_LR.pdf>. Acesso em 18 de março de 2018.
  4. Borras JM, Albreht T, Audisio R, Briers E, Casali P, Esperou H, et al. Policy statement on multidisciplinary cancer care. Eur J Cancer. 2014;50(3):475-80.
  5. Winterich JA, Grzywacz JG, Quandt SA, Clark PE, et al. Men’s Knowledge and Beliefs about Prostate Cancer: Education, Race, and Screening Status. Ethn Dis. 2009;19:199-203.
  6. Donovan JL, Hamdy FC, Lane JA, Mason M, Metcalfe C, Walsh E, et al. Patient reported outcomes after monitoring, surgery, or radiotherapy for prostate cancer. N. Engl. J. Med. 2016;375:1425–1437.
  7. Holle LM, Boehnke Michaud L. Oncology pharmacists in health care delivery: vital members of the cancer care team. J Oncol Pract. 2014;10(3):e142-5.
  8. Liekweg A, Westfeld M, Jaehde U. From oncology pharmacy to pharmaceutical care: new contributions to multidisciplinary cancer care. Support Care Cancer. 2004;12(2): 73-9.
  9. Colombo LRP, Aguiar PM, Lima TM, Storpirtis S. The effects of pharmacist interventions on adult outpatients with cancer: a systematic review. J Clin Pharm Ther. 2017; 42:414-424.

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