Manejo Seguro de Insulinas em Ambiente Hospitalar

O manual de acreditação da Joint Commission Internacional (JCI), em seu primeiro capítulo, apresenta as metas internacionais de segurança do paciente. A meta 3 descreve as diretrizes para melhorar a segurança dos medicamentos de alta vigilância, considerados como aqueles que podem causar danos mais graves ao paciente quando administrados por engano. Neste grupo estão incluídas as insulinas que, no ambiente hospitalar, é o padrão-ouro do tratamento da hiperglicemia, com uso prescrito para pacientes críticos e não críticos.

Nos pacientes críticos, a infusão endovenosa contínua de insulina é o método mais aceito de tratamento, em virtude da ação imediata e da meia vida mais curta por via intravenosa em comparação com outras vias de administração. Após a estabilização do quadro clínico, deve-se proceder a transição do esquema de insulina endovenoso para subcutâneo (LANSANG MC, UMPIERREZ GE, 2016).  Nestes pacientes, o farmacêutico atua no monitoramento da glicemia, na reconciliação da farmacoterapia domiciliar, na indicação de início da bomba de insulina junto a equipe multidisciplinar, no ajuste de horário da insulina subcutânea, após suspensão da bomba de insulina, assim como na sugestão de interconsulta com a endocrinologia, quando necessário.

Nos pacientes não críticos com dieta oral administra-se preferencialmente o esquema subcutâneo basal-bolus, que simula a secreção fisiológica pancreática de insulina, associado à administração de doses de insulina de correção, no intuito de adequar o paciente à meta glicêmica estabelecida. O farmacêutico, na unidade de internação, atua na sugestão de reconciliação medicamentosa quando indicado, na discussão com o médico para adequação do controle de dextro adequado para o paciente e no ajuste de horário de administração, juntamente com a enfermeira, de acordo com a farmacoterapia prescrita.

Pacientes críticos e não críticos, quando em jejum, e em uso de insulinas são monitorados pelo farmacêutico que, em contato com o médico, ajusta ou suspende determinadas insulinas de acordo com o tempo de jejum ou farmacoterapia do medicamento.

O farmacêutico, também, atua junto à equipe multidisciplinar no monitoramento da farmacoterapia de pacientes com causas para possíveis alterações glicêmicas – pacientes em uso de dieta parenteral e/ou enteral ou em uso de corticoides.

A atuação do farmacêutico clínico em ambiente hospitalar envolve a realização de intervenções junto aos médicos e enfermeiros a partir da análise das prescrições médicas em relação à dose, aprazamento, exames laboratoriais, função renal e na análise de informações coletadas sobre antecedentes de enfermidades, dados antropométricos, alergias e histórico medicamentoso de uso domiciliar, realizando a reconciliação medicamentosa, quando necessário. Além disso, participa em visitas multidisciplinares, nas quais os casos dos pacientes são discutidos com a finalidade de analisar, em equipe, as melhores condutas a serem adotadas em cada caso.

O farmacêutico pode desempenhar vários papéis em relação ao uso de insulina no ambiente hospitalar, desde aconselhar a equipe assistencial sobre as propriedades farmacocinéticas, interações medicamentosas e possíveis reações adversas deste medicamento até atuar na prevenção de intoxicações e na identificação e notificação de reações adversas. Atua, também, como educador do paciente ou de seu cuidador, pois realiza orientações sobre tipos de insulina, tempo para o início da ação, aprazamento, mistura de insulinas, administração, sinais e sintomas de hipoglicemia, transporte de insulinas e orientações no momento da alta dos pacientes.

Desta forma, o farmacêutico que esteja atento aos diversos aspectos e etapas envolvidas na utilização de insulina no ambiente hospitalar, estará apto para atuar tanto nos aspectos preventivos quanto na proposta de intervenções para resolver problemas que possam surgir com a terapia insulínica durante a internação. Sua atuação ativa junto à equipe de cuidado pode contribuir sobremaneira para o manejo seguro deste medicamento no ambiente hospitalar e, no momento da alta, contribuir para que o paciente possa aderir à terapia e continuar seu tratamento com segurança, evitando assim internações por complicações relacionadas ao uso de insulina no domicílio.

 

Es. Mariana Assolant Rodrigues
Farmacêutica Clínica da UTI Neurológica e Programa AVCi do Hospital Santa Paula/São Paulo/SP

 

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