Acompanhamento Farmacoterapêutico de Pacientes em Uso de Quimioterapia Oral

As terapias antineoplásicas de uso oral estão disponíveis mundialmente há mais de meio século, tendo como marco inicial a aprovação para uso dos medicamentos metotrexato e mercaptopurina nos Estados Unidos em 1953. Durante os últimos anos, com a evolução nas pesquisas, um número substancial e crescente de agentes antineoplásicos orais foi desenvolvido e introduzido no mercado. Estima-se que os agentes orais compreendam hoje mais de 30% dos 900 tratamentos de quimioterapia em curso de desenvolvimento.

Os quimioterápicos de uso oral representam um importante avanço farmacoterapêutico, trazendo mudanças no cenário dos tratamentos em oncologia, bem como melhoria na qualidade de vida dos pacientes. Entre as principais vantagens no uso destes agentes está a redução no número de hospitalizações, a facilidade no uso e maior autonomia do paciente.

No entanto, a terapia oral apresenta novos riscos na prestação de cuidados de saúde em oncologia, na medida em que o paciente deve assumir a responsabilidade por seu próprio tratamento. Nesse contexto, a adesão aos fármacos orais tem se tornado cada vez mais importante à medida que mais terapias contra o câncer são entregues por esta via, sendo este um dos grandes desafios a serem enfrentados no cuidado ao paciente oncológico.

Dependendo da terapia escolhida e dos métodos utilizados para medir a adesão, estudos prévios têm relatado taxas de adesão aos quimioterápicos orais que variam de 16 a 100%. Outra grande preocupação na utilização de quimioterapia oral é a adesão excessiva (over adherence), com a administração de doses maiores que as prescritas ou em intervalos menores que os previstos na prescrição, o que aumenta a probabilidade de ocorrência de toxicidade. Estudos descrevem que 30% dos pacientes administraram doses excessivas de seu tratamento quimioterápico de uso oral.

A não adesão aliada à complexidade e aos riscos associados ao tratamento com quimioterápicos orais, reforçam a importância da atuação do farmacêutico na equipe de cuidado ao paciente. Através do acompanhamento farmacoterapêutico, além de analisar a necessidade, efetividade e segurança dos antineoplásicos orais e outros medicamentos em uso, o farmacêutico é capaz de monitorar a adesão, identificar as causas da não adesão, intervir na promoção desta.

Entre os serviços prestados pelo farmacêutico no campo do cuidado, o acompanhamento farmacoterapêutico é considerado o de maior nível de efetividade na obtenção de resultados positivos em saúde, pois permite ao profissional a elaboração de um plano de acompanhamento que implica não somente na prevenção de problemas relacionados com medicamentos (PRM), mas, também na abordagem integral da farmacoterapia para todos os problemas de saúde do paciente.

Como qualquer outra atividade em saúde, o Acompanhamento Farmacoterapêutico necessita de procedimentos de trabalho normalizados e validados e de experiência em sua aplicação, para que possa ser efetivo na obtenção dos melhores resultados possíveis em saúde, tanto com o uso dos antineoplásicos orais quanto com a farmacoterapia do paciente como um todo.

 

Es. Patricia Kaiser Pedroso Cava
Farmacêutica do Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA) / RJ

Patricia Kaiser foi um dos profissionais a compor o Painel “Relato de Experiências Farmacêuticas Clínicas em Oncologia” durante o 3º Congresso Brasileiro de Farmacêuticos Clínicos (PCare 2018). Confira a Programação Científica e assista ao Congresso na Versão Gravada!

 

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