Switch Therapy: Conversão da Antibioticoterapia Intravenosa para a Via Oral

Switch Therapy é o termo em inglês utilizado para descrever a conversão da terapia intravenosa (IV) para via oral (VO), seja com o mesmo princípio ativo ou com outro diferente, sem que haja perda da potência do fármaco prescrito para um dado tratamento. Os antimicrobianos que possuem formulações orais com excelente biodisponibilidade podem substituir a terapia IV quando o paciente atende a critérios clínicos pré-definidos (Tabela 1). A conversão da terapia IV para VO geralmente ocorre entre dois e três dias do início do tratamento e pode impactar na redução do tempo de internação, apresentar menor risco de complicações, maior conforto e segurança ao paciente, menor tempo no preparo de antimicrobianos IV, redução da incidência de efeitos adversos relacionados à terapia IV, redução de infecções relacionadas ao uso de cateteres e ainda contribuir para a redução dos custos hospitalares com medicamentos, que podem ser comprovados com a realização de estudos farmacoeconômicos. A terapia antimicrobiana sequencial também pode ser usada como parte de uma política para reduzir a pressão seletiva, particularmente devido ao uso de cefalosporinas para patógenos hospitalares endêmicos, tais como, o Clostridium difficile e os bacilos Gram-negativos produtores de enzimas de espectro estendido.

Um dos casos mais comuns de utilização da conversão de terapia IV para VO é o tratamento de pneumonia adquirida na comunidade, onde aproximadamente 40-50% dos pacientes são elegíveis para esta prática. Outros casos de conversão no tratamento de IV para VO podem incluir o tratamento da peritonite bacteriana espontânea e pielonefrite.

Tabela 1. Antimicrobianos com excelente biodisponibilidade, elegíveis para Transição de IV para VO

Antimicrobianos Biodisponibilidade (oral)
Cefalexina 90%
Clindamicina 90%
Doxiciclina 90%
Fluconazol >90%
Levofloxacino ~99%
Linezolida ~100%
Metronidazol ~100%
Moxifloxacino ~90%
Sulfametoxazol/Trimetoprima 90-100%
*Tedizolida ~91%
Voriconazol 96% adultos, 45-80% crianças
*antimicrobiano ainda não disponível no Brasil, possui atividade anti-MRSA

~aproximadamente

 

Critérios clínicos e laboratoriais podem ser utilizados para classificar os pacientes como elegíveis para realização da conversão da terapia antimicrobiana IV para VO (Tabela 2). As condições clínicas do paciente devem ser avaliadas diariamente pela equipe multidisciplinar a fim de selecionar estes pacientes.

 

Tabela 2. Critérios utilizados para determinação de pacientes elegíveis para conversão da terapia antimicrobiana de IV para VO

Temperatura <38 ° C ou > 36 ° C durante 24-48 h
Estabilidade hemodinâmica
Estabilidade clínica
Fluidos orais / alimentos bem tolerados
Trato gastrointestinal com funcionamento adequado
Viabilidade do antimicrobiano administrado por dispositivos enterais/gástricos
Melhora na contagem de glóbulos brancos
Melhora no valor da Proteína C Reativa
Nenhuma cirurgia programada dentro das próximas 24-36 horas

 

Diferentes abordagens para a implantação da prática da conversão da terapia IV para VO podem ser utilizadas. Uma delas é através de Programas Antimicrobial Stewardship (baseados em protocolos clínicos, diretrizes, dados de vigilância, recursos educacionais, metas, intervenção e auditorias). No geral, estes programas são bem-sucedidos quando incluem feedback direcionado ao médico responsável. Entretanto, várias barreiras à implantação de conversão de terapia IV para VO são descritos na literatura médica. Evidências da Inglaterra sugerem que a aceitação de programas com desenvolvimento centralizado é lenta. A prescrição parece ser influenciada pelas crenças culturais do paciente e do prescritor, demanda do paciente, fatores socioeconômicos e clínicos. Para melhorar a adesão às diretrizes descritas, as recomendações devem ser desenvolvidas através da colaboração de líderes da equipe multidisciplinar, a fim de se obter um consenso sobre a conduta a ser adotada.

O farmacêutico clínico pode contribuir com esta prática sugerindo a equipe multiprofissional o antimicrobiano mais apropriado em cada caso, levando em consideração seus parâmetros farmacocinéticos e farmacodinâmicos, bem como a individualidade de cada paciente.

 

MSc. Jaqueline Pilon de Meneses
Farmacêutica Clínica da UTI Neurológica do Hospital Santa Catarina – São Paulo/SP

 

 

O tema Switch Therapy foi abordado na Conversa com Especialistas “Programa Antimicrobial Stewardship na Prática: Especialistas respondem sobre Infusão Prolongada de Betalactâmicos, Transição de Antibióticos EV para VO e Monitoramento Sérico de Vancomicina” durante o 3º Congresso Brasileiro de Farmacêuticos Clínicos (PCare 2018). Confira a Programação Científica e assista ao Congresso na Versão Gravada!

Referências

NATHWANI D, LAWSON W , DRYDEN M , et al. Implementing criteria-based early switch/early discharge programmes: a European perspective. Clin Microbiol Infect. 2015; 21: S47–S55. Disponível em: http://www.clinicalmicrobiologyandinfection.com/article/S1198-743X(15)00389-4/pdf. Acesso em:04/03/2018.

SCHEINFELD N. S. Medscape: Intravenous-to-Oral Switch Therapy. 2017. Disponível em: https://emedicine.medscape.com/article/237521-overview. Acesso em: 04/03/2018.

UP TO DATE. Drug Information. Pharmakodynamics/Kinetics. 2018

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