Acompanhamento de Eventos Adversos em Oncologia

O câncer é uma doença genética que tem como principal mecanismo o crescimento desordenado de células, que surge a partir de uma mutação inicial em algum gene envolvido na regulação de proliferação e/ou diferenciação celular, que na maioria dos casos invadem os tecidos e órgãos.

Uma das opções disponíveis de tratamento dentro da oncologia são os medicamentos, que, na maioria das vezes, são utilizados como primeira escolha, com o objetivo terapêutico de controle ou erradicação da doença, profilaxia ou controle dos sintomas. Dentre as classes utilizadas, os medicamentos antineoplásicos são uma das poucas categorias de fármacos que apresenta um índice terapêutico estreito e com grande potencial de gerar eventos adversos, fato justificado pela toxicidade não específica desta classe de medicamentos.

Devido aos riscos associados ao tratamento medicamentoso, o farmacêutico clínico tem ganhado espaço importante dentro das equipes multidisciplinares, estreitando o relacionamento e trazendo um novo olhar para as principais complicações associadas ao uso dos medicamentos, que podem resultar em complicações do tratamento e até morte dos pacientes.

Por este motivo, nos últimos anos o serviço de farmacovigilância tem sido uma prática e uma conduta dos farmacêuticos clínicos dentro da oncologia com o objetivo de monitorar as ocorrências dos eventos adversos, além de promover junto à equipe multidisciplinar o manejo adequado do tratamento, contribuindo para sua efetividade e criando um ambiente cada vez seguro aos pacientes. Para atingir este objetivo, o serviço de farmacovigilância deve possuir sistema robusto de identificação e monitoramento das suspeitas de eventos adversos, a fim de se identificar e avaliar as ocorrências com maior impacto na segurança do tratamento medicamentoso dos pacientes.

Neste sentido, o farmacêutico clínico deve auxiliar a equipe multidisciplinar a compreender e estabelecer a relação causal entre o aparecimento dos eventos adversos e o uso do medicamento, através de ferramentas com evidências científicas com o objetivo de efetuar o manejo adequado de eventos adversos, melhorando a adesão e contribuindo para o sucesso do tratamento proposto ao paciente. Pode, também, auxiliar a Comissão de Farmácia e Terapêutica a avaliar e promover ajustes essências nos protocolos institucionais, através das evidências científicas geradas pelo monitoramento da farmacovigilância, além de promover a educação continuada dentro da instituição sobre a conscientização dos impactos gerados pelos eventos adversos. É responsabilidade do farmacêutico notificar as ocorrências de eventos adversos à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, participando de forma efetiva da construção de um mercado regulatório sólido, seguro e eficaz que contribua para a garantia da qualidade dos medicamentos disponíveis para o tratamento medicamentosos dentro da área da oncologia.

 

Es. Alan Alves dos Santos
Coordenador da Farmácia Técnico-Científica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo

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